O que é amortização, afinal
Toda parcela de um financiamento tem duas partes: uma abate a dívida de verdade (a amortização) e outra paga o custo de usar o dinheiro do banco (os juros). Os juros sempre incidem sobre o saldo devedor — o quanto você ainda deve. A diferença entre SAC e Price está em quanto você amortiza a cada mês. É essa escolha que define se a parcela nasce alta e cai, ou nasce baixa e fica fixa.
Como funciona a tabela SAC
SAC é a sigla de Sistema de Amortização Constante. A ideia é simples: você abate o mesmo valor de dívida todo mês, do primeiro ao último. Como o saldo devedor cai de forma constante, os juros — que incidem sobre ele — também caem mês a mês.
O resultado é uma parcela que começa mais alta e vai diminuindo ao longo do tempo. A primeira parcela é a mais pesada do contrato; as últimas, as mais leves. Como o saldo desce rápido, a SAC tende a cobrar menos juros no total. É o sistema mais usado no financiamento de imóvel no Brasil.
Como funciona a tabela Price
Na tabela Price (também chamada de sistema francês), a lógica se inverte: a parcela é fixa do começo ao fim. Para manter esse valor constante, o banco cobra muitos juros e amortiza pouco no início; com o tempo, a proporção vira — a parte de juros encolhe e a de amortização cresce.
A vantagem é a previsibilidade e a parcela inicial mais baixa que a da SAC — o que ajuda quem tem a renda mais apertada agora. O contraponto é que, como o saldo devedor desce devagar no começo, o custo total de juros tende a ser maior. Vale lembrar que, em financiamento imobiliário, mesmo a parcela "fixa" da Price sofre correção monetária ao longo dos anos.
SAC x Price: a comparação lado a lado
O quadro abaixo resume o comportamento de cada sistema. Os valores exatos dependem do banco, do prazo e da taxa vigente — por isso aqui a comparação é qualitativa. Para os números reais do seu caso, simule nos bancos.
| Critério | Tabela SAC | Tabela Price |
|---|---|---|
| Parcela inicial | Mais alta | Mais baixa |
| Evolução da parcela | Diminui mês a mês | Fixa (sujeita a correção) |
| Ritmo de queda do saldo devedor | Rápido e constante | Lento no começo |
| Juros totais no fim | Tendem a ser menores | Tendem a ser maiores |
| Previsibilidade da parcela | Muda todo mês (sempre para menos) | Valor estável e previsível |
| Perfil que se beneficia | Quem aguenta a parcela inicial e quer pagar menos juros no total | Quem prioriza parcela menor agora e previsibilidade no orçamento |
Estratégias: amortizar, antecipar e portar
Escolher a tabela não encerra o jogo — o que você faz depois pesa tanto quanto. Amortização antecipada: sobrou dinheiro (13º, bônus, FGTS)? Abater o saldo devedor reduz o custo total nas duas tabelas, e o efeito é maior quando o saldo ainda é alto — nos primeiros anos. Você escolhe entre reduzir o prazo (quita antes) ou reduzir a parcela (alivia o mês).
Portabilidade: se outro banco oferecer condições melhores, você pode transferir a dívida e, na nova operação, rever inclusive o sistema de amortização. É uma carta na manga para os anos seguintes, quando o mercado muda.
Como decidir pela sua renda e pelo seu objetivo
Não existe tabela "melhor" no vácuo — existe a que combina com o seu momento. Comece pela parcela inicial: como o banco calcula o comprometimento de renda sobre ela, a SAC exige renda maior para aprovar o mesmo valor. Se a parcela alta da SAC couber com folga no seu orçamento, ela costuma ser o caminho de menor custo total.
Se o objetivo é liberar o máximo de crédito agora ou manter a parcela previsível e mais leve no início, a Price entra em jogo — desde que você entenda que paga por isso lá na frente. Pense também no horizonte: quem pretende amortizar ou revender em poucos anos se beneficia da queda rápida do saldo na SAC. A leitura fica muito mais fácil com os números na frente.
Dica da Monte Cristo
Não decida pela taxa da propaganda nem pela parcela inicial isolada. Peça na simulação a parcela inicial de cada sistema e o total pago no fim do contrato, lado a lado. Aí você vê de verdade o preço da parcela mais leve — e escolhe com os olhos abertos.
Perguntas frequentes
- SAC ou Price: qual paga menos juros no total?
- Em geral, a tabela SAC paga menos juros ao longo do contrato. Como você amortiza um valor fixo todo mês, o saldo devedor cai mais rápido, e é sobre esse saldo que os juros incidem. Na Price, a amortização é menor no começo, então o saldo desce devagar e os juros acumulados tendem a ser maiores. O número exato depende do banco e do prazo — simule em /financiamento para ver os valores reais.
- Na SAC a parcela cabe no meu bolso logo no começo?
- É o ponto de atenção da SAC: a primeira parcela é a mais alta de todas, porque soma a amortização fixa com os juros sobre o saldo cheio. O banco calcula o comprometimento de renda justamente sobre essa parcela inicial. Se ela couber no seu orçamento, o resto do contrato só fica mais leve, porque as parcelas diminuem mês a mês.
- Posso trocar de sistema depois que assinar?
- Dentro do mesmo contrato, não se troca de SAC para Price livremente. O que existe é a portabilidade: você leva a dívida para outro banco e, na nova operação, escolhe o sistema oferecido. Também dá para amortizar antecipadamente a qualquer momento, o que reduz prazo ou parcela sem mudar a tabela.
- Qual sistema os bancos costumam oferecer para imóvel?
- Para financiamento imobiliário, a SAC é a mais oferecida e a mais usada, especialmente nas linhas com recursos da poupança (SFH). A Price aparece em algumas linhas e para perfis específicos. Nem todo banco oferece as duas opções em toda linha — vale confirmar na simulação.
- Amortizar antecipadamente vale a pena em qual das duas?
- Vale nas duas, e sempre reduz o custo total, porque ataca o saldo devedor. O efeito costuma ser mais sentido quando o saldo ainda é alto — ou seja, nos primeiros anos. Você pode pedir para reduzir o prazo (quita mais rápido) ou reduzir o valor da parcela (alivia o mês). O FGTS pode ser usado nesse abatimento.
- A Monte Cristo ajuda a escolher entre SAC e Price?
- Sim, faz parte do acompanhamento. A gente roda os cenários com você, olha o comprometimento de renda na parcela inicial e mostra o que cada sistema significa no longo prazo. A simulação é feita direto nos bancos, com as condições oficiais de cada um.



